Monday, December 10, 2007

Saudade

Às vezes a saudade aperta... e com muita força. Mas cá vou a viver o meu exílio - agora voluntário. Levei catorze anos para regressar ao Portugal irremediavelmente mutilado no seu corpo e na sua alma pela canalha abrilina. O choque foi grande, mezcla de tristeza, desespero e revolta. E sobreveio um desejo nada cristão de ajuste de contas, de vingança gelada. Após três meses de adaptação impossível decidi prosseguir como saltimbanco profissão exilado. A etapa seguinte foi a tentativa do corte cerce: eliminar do pensamento tudo relativo à Pátria desfigurada onde os seus verdugos pontificam alegremente num mar de passividade e impunidade. Com o passar dos anos - ie, com alguns cabelos brancos - dei-me conta de que minha alma portuguesa não muda. E não morre. É-me simplesmente impossível cortar os laços. Pessoas, lugares, lembranças, sensações, coisas, a História com o seu gigantesco ficheiro a registar o bom, o belo, o verdadeiro. Vivo da minha memória e dos meus sentimentos - exactamente aquilo que não me podem roubar. Lixem-se a canalha '74, seus sucessores e cia. Há muitas formas de servir Portugal e existem ainda muitos portugueses que o não são apenas no bilhete de identidade. Apesar de tudo (e este "tudo" não é nada pouco...) vale a pena. Com optimismo quase chestertoniano quero confiar que um dia o Portugal de sempre há-de ser restaurado.

4 Comments:

At 11 December, 2007 14:19 , Blogger Vitório Rosário Cardoso said...

Concordo consigo!
Daquilo que vivemos, e vivemos bem e em grande, não há propaganda que nos tire a nossa preciosíssima memória.
Viva Portugal e o Portugal grande no mundo continua cá dentro!

Saudações,

 
At 12 December, 2007 10:38 , Blogger Euro-Ultramarino said...

Caro Vitório:
Impõe-se dar este testemunho na blogosfera - e cada vez mais. Parabéns pelas várias iniciativas.
Mantenha-se a tradição!
Um abraço.

 
At 12 December, 2007 23:10 , Blogger Vitório Rosário Cardoso said...

Ilustre,

Obrigado pelas amáveis palavras e de incentivo.
Confesso que a minha vivência proporcionou-me a visão dos "antigos" e não a da actual juventude, apesar de fazer parte dela.
É algo que por mais que se explique, os de agora não entendem.
Nunca imaginei que algum dia iria ficar emocionalmente transtornado por ver a Bandeira Nacional a ser arriada para sempre... Entendo muito bem quem viveu os anos 74-76, apesar de não ser nascido nessa altura.
Mete-me profundo asco ver certas jovens gerações (da esquerda à direita) com ambições tão limitadas, confinadas e derrotistas quanto ao projecto do grande Portugal.

Saudações,

 
At 23 December, 2007 18:01 , Blogger Capitão-Mor said...

Que texto comovente meu caro amigo!

 

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