Tuesday, May 22, 2007

Hergé 100 anos

Como não recordar hoje o centenário de nascimento do grande Hergé, criador do inigualável Tintin? As memórias de infância vêm obrigatoriamente acompanhadas das imagens e das aventuras do repórter globetrotter - corajoso, justiceiro, íntegro, amável, sempre com os inconfundíveis knickerbockers e a fiel companhia do Milou. Com a colecção completa e alguma memorabilia que guardo bem guardadas, volta e meia lá vou folhear algumas páginas, entrar no túnel do tempo e desfrutar de alguns momentos de sana distracção. Há alguns anos tive nas mãos uma edição inglesa de Tintin au Congo. Logo no início lá estava o inevitável e tão politicamente correcto disclaimer a advertir o leitor para a "mentalidade colonialista e racista" da época na qual o livro havia sido escrito. Palavras e diálogos haviam sido alterados - sem a autorização do autor - para não chocar as delicadas sensibilidades dos leitores dos nossos "novos" tempos. Com a reputação e as ligações léondegrelleanas do Hergé, não sei como os livrinhos não foram para o Index anti-fascista. Graças a Deus que os meus exemplares escaparam à praga.

5 Comments:

At 23 May, 2007 05:01 , Blogger António Lugano said...

Junto aos seus, o meus mais calorosos votos de reconhecimento a Hergé.
.
Os livros não foram para o "Index Librorum Prohibitorum" do politicamente correcto mas, segundo informação fidedigna, os direitos de autor de certas "aventuras" do Tintin foram compradas (ou estão a ser negociadas) com um grupo financeiro relacionado com o Banco Leumi de Tel Aviv, para que o "inclito historiador" Steven Spielberg, através dos estudios "DreamWorks", realize uma adaptação ao cinema.
Assim que, preparem-se para ver Tintin de "kepa".
Ah!, se o Hergé soubesse...

 
At 23 May, 2007 08:52 , Blogger a voz said...

Hergé e a sua Obra ficam para a posteridade!

Cumprimentos.
M

 
At 23 May, 2007 09:46 , Blogger Euro-Ultramarino said...

Caro António,

Se Spielberg e cia. avançam com isto nem quero imaginar os demais atributos "modernitos" que aplicarão à personagem...

Cara Voz,

Sem dúvida. E a série de posts do Amigo estão simplesmente fantásticos.

Um abraço a ambos.

 
At 29 May, 2007 07:38 , Anonymous palestina livre said...

Uma referência para o "desaparecimento" de SG Buiça da Blogosfera.
Em lados opostos, SG Buiça é sionista, somos anti-sionistas, foi sempre um adversário Leal e correcto, por exemplo a antítese do Fernando Araújo, mal-educado e não tão culto como se arroga.
Caro SG Buiça, volte, pessoas coerentes como Você é que fazem falta.
Cumprimentos.
PL

 
At 03 August, 2007 10:55 , Anonymous Carlos Portugal said...

Caro Euro-Ultramarino: Ao que parece, a censura globalista (estupidificante, como tudo o que é globalista) tomou de ponta não só o Hergé como praticamente toda a banda desenhada franco-belga.
Passando há dias pela FNAC de Cascais, verifiquei, espantado, que os escaparates das BDs clássicas franco-belgas - e até italianas - estavam reduzidas ao mínimo (quando um mês antes se apresentavam repletas), para dar espaço a um autêntico «dumping» de BDs americanas de super-heróis, da DC Comics e outras. Prateleiras e prateleiras de homens-aranha, X-Men, Hulks e demais rebotalho para consumo tipo fast-food.

Sem querer pôr em causa a qualidade inegável de algumas destas produções, afigura-se-me que o seu público é relativamente reduzido, uma franja no mundo da BD.

Como havia na loja mais algumas pessoas de meia-idade (como eu!) à procura das ditas BDs franco-belgas, chamei a responsável pela secção e perguntei-lhe a razão destas terem praticamente desaparecido. A resposta, globalista, foi esclarecedora:
«A BD franco-belga é TABÚ. A FNAC acompanha as tendências de mercado e as novas tendências são americanas...»

Um senhor a meu lado retorquiu que essas «tendências» não eram tendências, já que os «comics» estavam todos nas prateleiras e as franco-belgas desapareciam a olhos vistos. A mesma funcionária retorquiu que «o público tem de ser educado segundo as novas tendências (!!!), e que não gostar de super-heróis era uma questão de opinião».

Enfim, também aqui se sente a pata bárbara da globalização, que tenta impôr «tendências», e proscrever tudo o que não vá de encontro aos seus desígnios.

Um abraço.

 

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