Wednesday, December 12, 2007

Lesca, o fascista irredutível


...et don Charles Lesca, fasciste irréductible autant que calme,
sous son grand chapeau chapeau américain.

Robert Brasillach, Notre avant guerre


Encontro com o escritor Jorge Asís, antigo secretário da cultura de Carlos Menem, ex-embaixador junto à Unesco, em Paris, e em Lisboa. Interessado por Portugal e pelas coisas portuguesas antes mesmo de assumir a embaixada, a estadia em nosso país foi o ensejo de aprofundar-se no tema e construir amizades e relações que perduram até ao dia de hoje. Vejo-o a terminar de ler o "Salazar" de Jaime Nogueira Pinto. Uma das facetas do estadista que mais admira foi a mestria na gestão das relações internacionais. Para o argentino a actuação de Salazar durante a II Grande Guerra, em múltiplas frentes, com o objectivo de preservar a neutralidade peninsular, foi simplesmente brilhante e deveria ser "case-study" em toda escola diplomática que se preza. Fiquei surpreso... E satisfeito. Será que há mais argentinos interessados nestes e noutros lances de nossa História, e tão actualizado em termos editoriais?

Mas tudo isso vem à propósito da obra "Lesca, el fascista irreductible". Trata-se da trajectória de Charles Lesca, ou Carlos Hipólito Saralegui Lesca, cidadão argentino de fortuna que, radicado em Paris, chega a disputar com Robert Brasillach a direcção do Je suis partout. Nas duzentas e vinte páginas desta interessantíssima mescla de relato e ensaio, Asís transporta-nos ao Paris da ocupação e conduz-nos pelos meandros da intelectualidade contrarevolucionária francesa - "collabo" ou não - e pelos focos de tensão ideológica dentro das mesmas hostes. Numa prosa atraente, ácida e estimulante, o autor faz-nos sentir na companhia de figuras como Céline, Rebatet, Drieu la Rochelle, Maurras, Bainville, etc. E também não nos deixa esquecer da volubilidade das massas e da hipocrisia dos vencedores que escrevem a "sua" história.

2 Comments:

At 21 December, 2007 20:18 , Blogger O Réprobo said...

O Je Suis Partout foi um repositório de talentos minados pelo entisiasmo que os desarmou e fez marionetas. Maurras nunca lhes perdoou os tratos com o Inimigo.
Forte abraço

 
At 24 December, 2007 11:24 , Blogger Euro-Ultramarino said...

Assim foi, meu Caro Réprobo. E lá na secretária, entre os dilectos, está o retrato do Mestre provençal.
Abraço amigo.

 

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