Tuesday, May 06, 2008

Verdade nua e crua

Já vi banqueiros portugueses andarem aos abraços e beijos com aqueles que em tempos idos meteram-nos na prisão e expropriaram-lhes escandalosamente os negócios. Na verdade isso não causa espanto de monta. Está na lógica da sua espécie: quando o deus adorado é o cifrão, ter carácter é pecado e prostituir-se é sacramento. Ninguém poderia crer, neste mundo em tão completo desconchavo, que seria um Bob Geldorf a afirmar uma verdade comezinha diante de uma audiência embasbacada: que Angola é governada - ou desgovernada, se se prefere - por criminosos. Cometido o atrevimento, proferida a blasfémia, lá saiu o Banco Espírito "Santo" a entoar as lôas do costume à cleptocracia marxista e assassina que dá as ordens em Luanda. Deixemos os capitalistas com a sua lógica e os seus "sócios estratégicos". Dizem que a verdade acaba sempre por vir ao de cima. Que os Bob Geldorfs deste mundo começem a vê-la talvez seja o anúncio do seu iminente ressurgir.

4 Comments:

At 10 May, 2008 12:18 , Blogger O Réprobo said...

Meu Caro Euro-Ultramarino,
como pode ter dois sentidos, para certa Banca e para gente com coluna mais vertical, a frase
"a memória paga-se com juros!!
Abraço

 
At 10 May, 2008 16:20 , Blogger Euro-Ultramarino said...

Certíssimo. E podemos acrescentar: a memória também "apaga-se" com juros! Forte abraço, Caro Réprobo.

 
At 14 May, 2008 19:08 , Anonymous Anonymous said...

Não posso deixar de lhe agradecer o facto de ter trazido este assunto à baila. Por absoluta falta de tempo para o acabar, não deixo agora um outro comentário sobre Bob Gedolf começado há dias, após a leitura deste seu post. Espero fazê-lo amanhã.
Parabéns a si pela excelente oportunidade que nos dá e parabéns a ele pelo desassombro e frontalidade.

Maria

 
At 19 May, 2008 05:17 , Anonymous Anonymous said...

O que mais irrita, para não dizer repugna pelo nojo que provoca, é a hipocrisia e os planos obscuros que continuam a imperar nesta terra de políticos corruptos e ladrões e seus bajuladores de serviço. Se Bob Geldof fosse 'partner' nos negócios de Eduardo dos Santos era enaltecido e naturalmente elevado aos píncaros pelos cínicos e oportunistas do costume. Se ele fizesse o mal em lugar do bem, idem aspas, aspas idem. Se ele não tentasse mitigar a fome a milhares de crianças famintas africanas, como o anda a fazer há dezenas d'anos e, antes, se locupletasse com milhões em negociatas sujas promovidas por organizações duvidosas ligadas a governantes corruptos, ele seria considerado o supra-sumo como pessoa e o mais honrado cidadão do seu país, senão do mundo. Pessoas há, aparentemente insuspeitas, que afirmam haver também por cá cleptómanos que devem ser denunciados, que devemos tratar primeiro dos 'nossos' corruptos e deixar os d'Angola em paz porque o problema é deles. É verdade, em parte. O pior é que ninguém por cá, com poder e credibilidade suficientes, o faz, não esquecendo que os ladrões de cá são os verdadeiros culpados da miséria, doenças e fome que grassa em Angola bem como do ladrão que colocaram lá no poder. E uma vez que o poder de cá está mancomunado com o de lá, tanto nos roubos como no tráfico de toda a ordem e espécie e por cá ninguém tem poder para os levar à barra dos tribunais, ao menos que seja a partir de lá que alguém denuncie as traficâncias dos cleptómanos de cá, como foi o caso agora tìmidamente aflorado pelo Jornal de Angola. Porém, tal como há alguns anos um outro jornalista angolano fez a mesmíssima denúncia, citando nomes de políticos proeminentes de cá, muito embora tendo sido parco nos pormenores foi suficientemente claro na caracterização dos crimes e nos apelidos dos implicados, nessa altura porém o assunto ficou em águas de bacalhau e agora parece ir tudo pelo mesmo caminho, o que aliás não é para admirar dada a protecção a nível planetário de que todos eles, os de cá e os de lá, beneficíam. Contudo, dado que a denúncia foi feita por alguém prestigiado e credível a nível mundial, cujas palavras têm larga repercussão e causam algum pânico junto dos governantes poderosos do primeiro e do terceiro mundo, ou seja, dos ditadores democráticos e dos déspotas africanos, talvez ela surta o efeito desejado e o escândalo seja travado d'algum modo, para bem dos portugueses mas sobretudo para salvar o que resta do martirizado povo angolano. Bob Geldof pode ser o pior roquista do mundo, não sei se é ou se não é porque não conheço as suas canções nem elas me interessam particularmente, interessam-me ùnicamente as suas acções humanitárias, ele pode igualmente ser multimilionário que isso pouco me importa, pode ser de direita ou de esquerda (pelo que sei não é uma coisa nem outra) que me é completamente indiferente, o que sim sei e muito admiro é que ele possui um carácter acima da média, uma coluna vertebral suficientemente direita e não teme dos poderosos e estes são predicados raros (e imperdoáveis) nos dias que correm, mas que - a juntar ao seu grito de revolta dirigido ao mundo rico e perdulário há uma série d'anos, em prol dos milhões de crianças a morrer à fome sobretudo na Etiópia - quanto a mim atestam a sua dimensão humana e chegam e sobejam para que o seu nome jamais seja esquecido e nunca por demais enaltecido. Alguém para quem o amor ao próximo e a compaixão pelos necessitados e famintos não são palavras vãs, mas que evidentemente nada dizem aos governantes insensíveis e ultra corruptos deste mundo e a côrte dos vendidos que os apoia. Outros muito mais poderosos e muito mais ricos do que ele podê-lo-iam ter feito mas não o fizeram, foi ele a primeira pessoa não política com a dimensão e alcance que se conhecem, a denunciar a mega corrupção dos déspotas africanos e o cinismo dos governantes mundiais ao permitirem-na, bem como a instigação de contínuas guerras fraticidas e crimes horrendos, propositadamente perpetrados contra milhões de inocentes. O facto dele chamar os bois pelos nomes a uma série de pseudo-governantes criminosos já o transforma num quase herói. E num herói absoluto - após a sua revolta incontida perante a apatia dos governantes europeus e mundiais, ao clamar por justiça para com os milhares de crianças etíopes famintas a morrerem d'inanição, exigindo aos governantes dos países ricos europeus sobretudo da Inglaterra, o envio imediato para esse país africano das toneladas d'alimentos excedentários a serem criminosamente destruídos na Europa dos ricos e fê-lo inclusivamente através de um quase ultimato através de um telefonema ao primeiro ministro Tony Blair, o qual, algo amedrontado com o tom de voz do activista do outro lado do fio, depois deste o ter informado do destino dado às toneladas d'alimentos custeados com o dinheiro recolhido na sua primeira campanha, os quais após terem chegado à Etiópia haviam sido imediatamente desviados do destino pelos corruptos governantes e apaniguados, pedido a que o primeiro ministro britânico de imediato aquiesceu - o ter sido capaz de posteriormente juntar simultâneamente milhões de pessoas em todo o mundo a favor das crianças mais famintas d'África, através dos seus dois Live-Aid's subsequentes ao seu primeiro grande concerto com o mesmo fim. E por favor, não venham hipòcritamente dizer que o que ele fez foi com o intuito de se abarrotar de dinheiro, fama e prestígio. Mas o que é que isso importa, se o resultado final foi o que se viu e vê?! E aqueles que dissimuladamente o criticam, alguma vez porventura o acompanharam nas suas inúmeras peregrinações pelo mundo, para tentar minorar as carências das crianças sobretudo africanas, dentro da sua limitadíssima capacidade de acção, por não ser político? E os que o criticam já mexeram sequer uma palha para arrancar um só inocente das garras da morte, provocada por falta dos nutrientes mínimos para a a sua sobrevivência, ou por uma doença curável que no entanto leva à morte por falta de um simples medicamento sonegado pelos poderes instalados num qualquer país africano governado por déspotas e ladrões? Estes não-argumentos denotam a hipocrisia e o cinismo de quem vem lucrando há décadas com a miséria, a fome e a morte em África e, por arrastamento, em todo o mundo sub-desenvolvido, originadas pelos poderosos e ricos que nele mandam e assim o decretaram. Bob Geldof até pode ter ficado ultra famoso e arquimilionário com as suas acções humanitárias, porém se continuar a praticar o bem e a salvar uma criança que seja dos milhões de famintas africanas, vítimas inocentes de criminosos cleptómanos sem escrúpulos, por ele apontados a dedo sem qualquer pejo, continuará a ser um ser humano superior com um coração do tamanho do mundo. Os seus actos é que contam, não o dinheiro que possua no banco. Os déspotas africanos e os cleptómanos portugueses e quem os apoia e louvaminha - os primeiros colocados no poder para justamente através de guerras artificiais e fomes devastadoras propositadamente fomentadas para provocarem a morte de milhões de seres humanos e deste modo reduzirem dràsticamente a população mundial - como é suposto porque assim foi decretado - e os segundos colocados à frente das chamadas 'democracias' com o específica tarefa de conservar os primeiros no poder dando assim plena satisfação aos ditames mundialistas, para quem em última instância todos trabalham - já alguma vez nas suas vidas desencadearam acções humanitárias sequer aproximadas às que este extraordinário activista desenvolve? Claro que não, mas criticam-no porque o faz e acusam-no de ser rico e de não distribuir o seu dinheiro pelos pobres!!! E no entanto outros há muito mais ricos e polìticamente muito mais poderosos que não obstante nada fazerem pelas populações famintas e miseráveis d'África e d'outros continentes, são curiosamente os mais louvaminhados pelos mesmos hipócritas, lambe-botas e vendidos, que cìnicamente criticam quem altruìsticamente tenta incansàvelmente saciar a fome a milhões de crianças esfomeadas. E este é precisamente o fulcro da questão. Neste mundo de maldade, inveja, ganância e cobiça, quem faz o bem normalmente não possui poder político algum, não controla a imprensa, não distribui mordomias nem benesses pela côrte de serviço nem garante empregos vitalícios aos lambe-botas que se vendem por meio tostão de mel cuado, não viabilizando, em consequência, a corrupção que tal conleva. Como é o caso paradigmático de Bob Geldof. Eis a motivação substantiva e única de todas as críticas acerbas, dissimuladas ou não, a este ser humano de excepção. Caso ele o detivesse e a praticasse (o poder político e a corrupção) outro galo cantaria e as críticas desapareceriam num repente e milagrosamente ser-lhe-iam tecidos os mais rasgados elogios e prestadas cinicamente todas as homenagens. Há no mundo um número reduzido de gente muito rica mas que não está nem quer estar ligada ao poder político, que não corrompe nem se deixa corromper, que não se vende aos poderes instalados e que, pior do que tudo, não vende a alma ao diabo. A estes, os sabujos ao serviço dos corruptos, cleptómanos e criminosos, difamam o mais que podem e enquanto podem.
Neste número restrito de multimilionários e simultâneamente pessoas de bem, há os que apesar da sua imensa fortuna não deixam de praticar a filantropia e que independentemente do seu elevado estatuto social e imensa fortuna pessoal, nada têm a ver com os bandos de criminosos e ladrões que pululam por quase todos os governos do mundo no momento presente. Em Portugal houve algumas destas pessoas excepcionais. Calouste Gulbenkian, por exemplo, foi uma delas. Nunca foi político nem precisou de o ser para praticar o bem. Este grande humanista, imensamente amigo de Portugal, era arquimilionário e no entanto não andava a distribuir dinheiro pelos pobres dos países sub-desenvolvidos (como várias pessoas sugerem que Bob Geldof devesse fazer com o seu próprio dinheiro... pessoas que desconfiam do tipo de filantropia que ele pratica, mas não desconfiam da política criminosa abertamente prosseguida pelos déspotas dos países africanos, no caso Angola - esses corruptos estão lá longe não nos dizem respeito, protestam alguns, esquecendo-se que quem está no poder neste país foi lá colocado pelos cleptómanos de cá), fazia o bem d'outro modo e não obstante ninguém pode negar o quão Portugal e os portugueses lucraram e continuam a lucrar com o facto deste filantropo arquimilionário ter fixado residência no nosso País. Estivesse ele hoje vivo e acusá-lo-iam do mesmo de que acusam Bob Geldof. Filantropos e Mecenas sempre prontos a ajudar os mais desfavorecidos, não terão havido muitos no nosso País e como C. Gulbenkian, pouquísimos. Mesmo os que odeiam os muito ricos (e na realidade há-os execráveis, os mundialistas, por exemplo, são todos arquimilionários e como espécie humana são do mais repugnante que a humanidade poderia ter concebido, mas também há por cá alguns novos arquimilionários igualmente repelentes) não podem deixar de reconhecer o valor intrínseco de seres humanos desta grandeza, ainda que o não queiram confessar. Voltando ao cantor-activista, a única coisa que deve ser sublinhada e nunca por demais enaltecida, é que este homem, muito jovem na altura em que iniciou esta gigantesca cruzada contra a fome em África, continente a que nem sequer está ligado por laços de sangue ou outros, as suas acções humanitárias são puro altruísmo, não sendo político nem governante, não tendo poderes secretos especiais, não possuindo bancos ou petrolíferas, nem integrando cartéis duvidosos, tem feito mais pelas crianças famintas do continente africano, que morrem aos milhões de fome e de doenças endémicas erradicadas décadas antes dos ladrões e criminosos terem sido criteriosamente colocados à frente dos vários governos desses países para conduzir as populações a esse mesmo fim, do que os governantes mais ricos e mais poderosos deste mundo, todos juntos. Os mesmos que curiosamente são louvaminhados pelos sabujos que a troco de dez tostões de mel cuado achincalham o nome do cantor-activista com fins não tão obscuros quanto à primeira vista possam parecer, porquanto beneficíam os seus amos e senhores directamente e a eles próprios indirectamente, dos lucros fabulosos gerados através do tráfico monstruoso das riquíssimas matérias primas originárias desses países, pelo que têm necessàriamente de denegrir todos quantos ponham a nu os ignóbeis negócios dos cleptómanos de ambos os países. A cobiça e ganância não têm limites. Os déspotas africanos venderam a alma ao diabo a troco de biliões, de um poder fictício e de uma vida de opulência e a única contrapartida que se lhes exigiu é que deixassem as populações morrer à fome. E é o que os déspotas das 'gloriosas democracias' africanas, designadamente a angolana, têm brilhantemente vindo a fazer desde há 34 anos. Os cleptómanos de cá fizeram-no pelos mesmos motivos mas com mais contrapartidas, algumas das quais sobejamente conhecidas do povo português.
O que realmente importa em Bob Geldof - e podia ter sido outra pessoa qualquer, mas a verdade é que foi ele o primeiro estrangeiro famoso suficientemente corajoso a fazê-lo - é que disse verdades que feriram como punhais e já anteriormente o havia feito em relação a outros tiranos africanos, europeus e mundiais, verdades atiradas à cara dum bando de traidores, corruptos e ladrões de lá e por arrasto de cá, que se andam a encobrir uns aos outros e a rir alarvemente na cara do povo português e do infeliz povo angolano há mais de três décadas e que, para cúmulo, ainda têm a suprema lata de denegrir o nome de um homem que só pratica o bem mas teve a enorme coragem de lhes descobrir a careca pùblicamente por interposto ditador africano, esse inominável Eduardo dos Santos. E, hipocrisia máxima, com quase toda a imprensa incluíndo "prestigiados" comentaristas, a secundá-los cobarde e indecentemente quando nem uns nem outros lhe chegam sequer aos calcanhares e muito menos à sombra. Mas pensando bem o contrário é que seria de espantar, já que uma e outros têm vivido há mais de três décadas lauta e obscenamente da situação.
Por estas e por outras, mas muito especialmente por não fazer parte da esquerda mafiosa nem pertencer a seitas secretas, é que Bob Geldof não recebe um qualquer Prémio Nobel, que há muito lhe é devido. É que para mitigar a fome às crianças famintas deste mundo não há prémios nobel p'ra ninguém, em contrapartida para os cleptómanos e máfia mundial, claro que sim, todos os anos há vários.
Parabéns por separar as águas relativamente a este assunto. Até na desassombrada Blogosfera os que o fazem vão sendo cada vez em menor número, mas nem por isso menos nobremente. Como é o seu caso.

Maria

 

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