Mas às vezes dá imensa vontade...
"Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal!" - F. Pessoa

Um feliz achado, numa visita a um pouco provável alfarrabista, num pouco provável local, foi um livro de Pol Vandromme sobre Pierre Drieu la Rochelle, e que contém várias passagens que daria gosto reproduzir aqui. Uma à qual não resisto é esta:
Na Pátria da trilogia liberdade-igualdade-fraternidade existem três leis:
Tenho para mim que em França, em algum momento, atingiu-se o ápice da civilização. Ironicamente também foi aí que no ano de 1789 pariu-se a praga que vem dando cabo desta mesma civilização. A França de Clovis, Carlos Magno, Hugo Capeta e São Luís; a França de Filipe o Belo, de Francisco I, de Luís XIV, ou a França do usurpador corso, ou de um de Gaulle ou de um Pompidou - todas estas Franças já deixaram de existir. Mas eram francesas. Ao que restou é mister encontrar outro nome - terra dos francos está mais que anacrónico. Com a socialista Ségolène Royal (isto é que é apelido!) continuar-se-á alegremente a dissolução desnacionalizante - mas ainda por mão francesa; com o "conservador" Nicolas Sarkozy chega-se finalmente ao destino - pela primeira vez na história do hexágono o governante não será gallo. Um elucidativo artigo sobre o candidato pode ser lido n'A Voz Portalegrense.

Para mais uma pândega o trio do eixo Caracas-Brasília-Buenos Aires e demais tributários de não tão "alto" coturno reúnem-se em São Sebastião do Rio de Janeiro. A anos-luz de apresentar alguma integração económica de valia, a selectíssima bandalha vai mesmo é divertir o gentio com muitas frases de efeito, muito histrionismo e o delicioso espectáculo de aldrabices mútuas. Assim se constrói a União das Repúblicas Socialistas Sul-Americanas. Mais do mesmo...
Coitaditos. Há quase 33 anos que tentam apagar Salazar da memória das gentes, igualá-lo ao mal absoluto nas cabecinhas dos miúdos, varrê-lo da História, sepultá-lo nas valetas do esquecimento, etc., e não é que o asceta de Santa Comba volta, e volta com força? Isto dos concurzitos fanfarrões e telenovelescos para "eleger" o "mais isto" ou o "mais aquilo" parece até os referendos à execução dos nascituros. O resultado obtido não corresponde ao desejo dos organizadores? Anda a fazer outras "consultas"... até que se obtenha o que se quer. Mesmo com manobras e artimanhas de variada extracção o tiro sai-lhes pela culatra. Mesmo numa patuscada inventada pelos próprios levam uma estalada na cara. Será que não vão aprender nunca?
Em tempos de enforcamentos muitos terão pensado que o governo iraquiano - ou aquilo que dá por esse nome - ainda tem muito que aprender na matéria. Afinal, o "espectáculo" da execução do antigo "presidente" (quando era grande amigo dos EUA, GB, etc.) e depois "ditador (já não grande amigo dos EUA, GB, etc.) Saddam Hussein mostrou o pouco professionalismo dos organizadores. A título de comparação veja-se como decorreram os enforcamentos de Nürnberg, sob a batuta high-tech dos EUA.
"Sua Santidade Bento XVI afirma que no Brasil reina a democracia e que o nosso governo está seriamente empenhado em combater a corrupção e o narcotráfico. Se essas coisas fossem sentenças doutrinais proferidas ex cathedra , os católicos brasileiros estariam na difícil contingência de ter de dizer amém a falsidades óbvias. Felizmente, são apenas declarações à mídia, opiniões pessoais do filósofo alemão Joseph Ratzinger. Não impõem aos fiéis senão o dever de admitir que estão erradas." Cont...
Ausência prolongada neste espaço de convívio. Alguns dias em Santiago do Chile e noto que o regime militar - o modelo Pinochet - foi mesmo para valer e deixou marcas profundas. Ainda há ordem, disciplina, seriedade - e bem-estar, economia sólida, pujante, moderna. E reparei em algo mais: todos com quem travei contacto, gente simples, desconhecida, encontrada ao acaso, todos, manifestaram a sua admiração pelo General e pela transformação operada no país andino. Empregados de mesa, taxistas, vendedores do comércio, guias de museus, etc., todos manifestaram-se com respeito e reconhecimento. Mas nada disso será publicado pelos senhores planetários dos media... Outros dias em São Sebastião, vulgo Rio de Janeiro, também terra de exílio por conta da abrilada setentista. Que contraste! Ruas não as há, apenas crostas deformadas e esburacadas, muita sujeira e mal-cheiro, favelas em profusão, desordem em todas as esferas. E a horrorosa criminalidade que grassa com um ignominioso à-vontade, o narcotráfico endoutrinado pela esquerda revolucionária, o completo abandono no qual se encontram os cidadãos. Mal chegava e numa só manhã, entre assaltos a autocarros - incendiados com as pessoas no interior - e a esquadras policiais, o número de mortos chegava aos vinte e cinco e os feridos graves a vinte e oito. Nada mal para um país convencido de constituir o paraíso terrestre, e governado pelo imaculado Sr. Silva - ele convencido de que é um colega de Nosso Senhor Jesus Cristo. De regresso a Buenos Aires encontro uma cidade consideravelmente vazia, com boa parte da população nos balneários da costa bonaerense - Mar del Plata, Pinamar, Cariló, Ostende, etc. Aqueles afortunados (e demais vedettes) que se podem dar ao luxo, cruzam o Prata e assentam arraiais na uruguaia Punta del Leste, a St. Tropez cá de baixo. Tudo ainda calmo, à espera de uma rentrée que promete muito para 2007 nesta tresloucada América do Sul, repartida entre Silvas, Chávez, Morales, Kirchners e companhia. Do socialismo o muerte do palhaço caraquenho à boçalidade socialista de Morales, do socialismo-para-os-outros-e-a-massa-no-meu-bolso do erudito Silva ao socialismo malcriado do soixantehuitard Kirchner, estou convencido de que o ano que começa vai trazer grandes novidades. Especialmente enquanto a região continuar a ocupar o lugar número 872 na lista de preocupações do governo estado-unidense.