Wednesday, November 15, 2006

Sua Majestade D. Pedro II do Brasil

A 15 de novembro de 1889 D. Pedro II, Imperador do Brasil, era deposto por uma quartelada de inspiração maçónica - a entidade a que dão o nome "povo" esteve inteiramente à margem do acontecimento. Após alguma deliberação, não tendo sido acatada a sugestão de fuzilamento do monarca derrubado, feita por um antepassado do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, os revoltosos decidiram enviar o grande Senhor ao exílio. A imagem contrária do pai, graças, talvez, à acção benéfica de uma mãe Habsburg, D. Pedro II foi um homem bom e honrado, culto e inteligente, com uma perfeira noção da sua responsabilidade para com o seu povo. Incentivou a indústria, a agricultura, o comércio, as ciências, as artes, a educação. Todos os sábados, com os portões do Paço de São Cristóvão abertos, recebia qualquer pessoa sem necessidade de marcar audiência prévia. Conseguiu, possivelmente pela primeira e última vez, que o Brasil projectasse uma imagem de decência e respeito, tanto interna como externamente. Ao ser ignominiosamente expulso do Brasil, e sem um tostão no bolso, D. Pedro e sua família vão viver para Paris, instalando-se em um modesto hotel, onde são literalmente sustentados por pessoas amigas e, até mesmo, por longínquos desconhecidos. Nunca ouviu-se-lhe um queixume ou uma crítica, apenas a constante preocupação com o seu povo e o seu país, sempre mergulhados na mais profunda - e lusíssima - saudade. A 5 de novembro de 1891 morre em Paris aos 66 anos. A França republicana, então presidida por Carnot, presta-lhe honras de chefe de Estado - as exéquias públicas e as homenagens dão disso testemunho. Entre as delegações enviadas e os diplomatas acreditados uma única ausência foi notada: a do Brasil republicano e maçónico, que, irritadíssimo com esta "desfeita" francesa, protestou ao Quay d'Orsay. As lições da História estão à vista - os homens, os seus discursos, as suas acções. Quem quiser dar-se ao trabalho que observe, compare e tire as devidas conclusões.

3 Comments:

At 16 November, 2006 07:39 , Blogger Paulo Cunha Porto said...

Ai, Meu Caro Euro-Ultramarino!
Pensar que a parte mais humilde do Povo Brasileiro, dantes tão fiel à Casa Imperial que abolira a escravatura e hostil à República dos interesses que contra o facto reagira elege hoje chefes de estado que se entretêm a passar envelopes por baixo da mesa...
Abraço.

 
At 16 November, 2006 11:27 , Blogger EURO-ULTRAMARINO said...

É o triste e enigmático fenómeno da decadência dos povos, meu Caro Paulo. Outrora a busca era por modelos de elevação do espírito, hoje o que manda é o culto do ordinário, do reles.
Um abraço.

 
At 20 November, 2006 04:26 , Anonymous Brasileiro said...

Revela-se uma certa ignorância da influência maçônica do próprio Pedro II, razão por que a Igreja não moveu um dedo para protestar quando da queda da monarquia: vide
http://www.seattlecatholic.com/a051102.html

 

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